O bloqueio instituído pela Procempa ao uso do MSN por todos os colaboradores da Prefeitura de Porto Alegre, noticiado em primeira mão pelo Baguete Diário na sexta-feira, 14, trouxe à tona um assunto que tem tirado o sono de gestores de TI de empresas diversas: as perdas em produtividade e segurança trazidas pelo acesso à Internet sem monitoramento no ambiente corporativo. Segundo pesquisa da Websense, 24% do expediente semanal de trabalhadores brasileiros é perdido com navegação de fins pessoais na web. Já de acordo com levantamento da Península, consultoria britânica de direito trabalhista, o tempo médio gasto com a visitação de webpages não relacionadas a objetivos empresariais é de três horas diárias por colaborador.
Com estes dados em mãos, qualquer gestor começa a se perguntar: o que fazer para evitar este desperdício? A atitude da Procempa pode ser uma solução. “Temos mais de seis mil máquinas na rede da Prefeitura, e descobrimos que uma delas havia sido contaminada por um vírus – ainda sem vacina – que entrou via MSN. Então, cancelamos temporariamente o serviço”, diz o diretor Técnico da Companhia, Zilmino Tartari.
Segundo o dirigente, o bloqueio foi total, mas deverá ser desfeito a partir da terça-feira, 18, ou da quarta, 19, quando o fornecedor de anti-vírus da instituição já tiver conseguido reparar a infecção. “Depois disso, o acesso ao MSN estará liberado, mas supervisionado, como sempre ocorreu”, conta o diretor.
Para quem quiser adotar medidas menos radicais, o monitoramento é uma alternativa à restrição de acesso. A PlugIn, por exemplo, é adepta da prática. “Na empresa, permitimos o uso apenas do Skype. Quanto ao MSN, ICQ e outros sistemas afins, o que estabelecemos é uma política: não é proibido acessar, mas todo acesso será monitorado por nossa equipe de TI”, conta o presidente Jaime Wagner. “Ou seja: todo funcionário nosso sabe que pode usar estas ferramentas se quiser, mas que nós preferimos que não o faça e que, se fizer, nós saberemos”, complementa.
Para o controle, tanto do acesso aos messengers quanto a páginas da web e a informações confidenciais da companhia, o data center gaúcho utiliza os sistemas GatePro, da porto-alegrense Interage, e TraumaZero, da montenegrina Ivirtua. Segundo o diretor executivo da Interage, Ricardo Roese, o software de sua empresa possibilita diversas opções de comando sobre o uso da Internet em ambientes corporativos. “Pode-se, por exemplo, promover a monitoração constante dos sistemas. Quanto ao bloqueio, este pode ser feito de maneira geral, ou relacionado a usuários específicos, grupos pessoais (com tecnologia P2P) ou horários”, detalha o executivo.
Roese explica que, além de reduzir o tempo de produção dos colaboradores e contribuir para o aumento de risco à segurança dos sistemas da empresa, o livre acesso à rede mundial de computadores gera outros prejuízos. “Os downloads de conteúdos pessoais, por exemplo, causam um gasto desnecessário de banda. Muitas vezes as companhias investem em expansões de link que nem seriam necessárias se houvesse uma política de contenção de uso da web”, diz.
Ainda conforme o diretor executivo da Interage, as ferramentas de controle de acesso não são privilégio de grandes organizações, podendo ser customizadas para o mercado de PME – que, aliás, é o nicho em que mais se prolifera a navegação ociosa, de acordo com a pesquisa da Websense.
Porém, se a estrutura de TI da companhia em questão permite, existe ainda outra solução para o caso: o desenvolvimento de um sistema interno de comunicação instantânea. É no que pretende investir a Procempa, depois do susto deste mês. “Estamos trabalhando no desenvolvimento de um messenger próprio. A ferramenta, que substituiria permanentemente o MSN e softwares do gênero, ainda é um conceito, não tem previsão de criação ou uso. Mas já estamos envolvidos neste processo”, conta Zilmino Tartari.